Eu morava em uma cidade do interior. Minha familia tinha boa condição financeira. Eu tinha muitos amigos. (...) E eu não sabia que curtia caras. Sendo bem sincero nesta parte.
Acredito ter sido inocente demais por um bom tempo. Um pouco mais do que a média. E a primeira vez que me atentei ao fato de namorar, ficar e seus derivados, já fora lá pelos quatorze anos. Quando fiquei com a primeira menina. O nome dela era Roberta. Loira, meiga, cheirosa e linda.
Passei muitos dias com o coração na boca por ela. Altas aventuras...
E eu tinha um melhor amigo naquela época. O Guilherme. Era amigo para tudo! Estudavamos juntos, jogavamos bola sempre no mesmo time ou por vezes, bombinhas dentro da igreja dos crentes bem na hora dos cultos!! (Tenho saudades desta parte...huahauhauhauahuahauhauha)
E o Guilherme era um ano mais velho do que eu e bem "mais maduro" também (a maturidade de alguém com 14/15 ¬¬).
Conversavamos na casa dele, um dia daqueles, à tarde, como de costume. Falavamos amenidades. E ele perguntou sobre a Roberta. E eu fui muito sincero, como eu sempre era. E ele perguntou se eu tinha beijado-a direito. Ao que eu respondi: "Ora, beijei. Beijei e pronto. Acho que foi certo. Ela nem reclamou."
"Aposto! Você nem pode dizer algo assim. Você não sabe o que é um beijo de verdade!" Provocante, como o Guilherme sempre era.
Horas e horas de zoação da parte dele seguiram-se.
Até que disse: "Se você quizer, eu te ensino a beijar de verdade! Mas só se tu quizer!"
"Mas como?!"... perguntei.
Ele, já articulado, imagino, disse o papo mais velho do mundo inteiro: "Eu te ensino a beijar, mas tu não pode falar para ninguém! Para ninguém mesmo! Ou eu paro de falar contigo!"
Não me lembro bem como, mas eu cai.
E foi o meu primeiro beijo em um cara. E foi o começo de uma fase diferente em nossa amizade.

